Há duas semanas que não escrevo aqui. Mas confesso que fiquei um pouco desmotivada quando falhei no meu último desafio. A princípio pensei que não fosse tão difícil ficar mísero três dias sem utilizar-me de palavras de baixo calão durante minhas falas. A verdade é que alguns estudos já afirmaram que falar palavrão é uma forma de liberar o estresse ou até ajudar a suportar a dor. Um palavrão bem dado, cheio de energia e sentimento alivia realmente a tensão e já experimentei isso várias vezes. Quem nunca disse um palavrãozinho sequer durante um exame de sangue (cacete de agulha!), ou nunca soltou o verbo quando a barriga ardeu ao completar o centésimo abdominal, ou em uma briga com o irmão soltou o super elegante "vá tomar..."? Percebi que durante meus dias de vigilância consegui segurar a língua quando estava junto das pessoas. Por mais que surgisse algum problema, que aparecesse alguma situação desagradável, eu respirava fundo, bebia minha água e as palavras não passavam da zona do pensamento.
Mas o pior momento foi estar no trânsito eu e eu mesma dentro do carro, com vidros hermeticamente fechados e vir um louco no meio da rua e então não tinha jeito. Tive que soltar o tal palavrão. E depois vinha o remorso e o arrependimento por não ter tido controle mental sobre minhas palavras. Sim, fracassei e ciente do meu fracasso como estou, serei obrigada a repetir a dose, mas talvez farei o desafio duplo: ficar sem dirigir e consequentemente sem palavrão.u
Será que é possível desfazer-se de vícios e manias? Será que precisamos ter tudo o que temos? Será que aquilo que julgamos imprescindível à nossa sobrevivência é realmente necessário? A proposta do blog é testar os meus limites e retirar algo da minha vida por três dias
3 dias sem
Tudo começou no dia em que decidi, por livre e espontânea vontade, ficar sem internet por três dias. A partir daí surgiram novos desafios que estou decidida a testar e relatar. Um blog de experimentos, testes, descobertas e reflexões sobre como nos comportamos quando ficamos alguns dias sem algumas coisas... Leia, reflita, compartilhe suas experiências malucas.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Eu preciso de sustância!
Foi essa frase que ouvi ao avisar a uma amiga que ficaria três dias sem comer massa. No meu caso, eu realmente estava com excesso de sustância. Sustância no café, almoço e jantar. Dando uma rápida olhada pelos restaurantes aqui em Fortaleza dá até pra pensar que a cidade tem um pé na Itália porque é tanto rodízio de massa, tanta pizza solta e perdida rolando por aí que qualquer restaurante pé sujo que se preze já tem um forninho a lenha.
Eu tenho que confessar: amo massa. Não resisto a um macarrão com qualquer tipo de molho, um salgado quentinho um sanduiche mistão. E o melhor é a sensação que vem depois. A famosa sustância que me deixa completamente abarrotada pelo resto da tarde. Decidi começar a minha saga no domingo depois de ter uma discussão com o marido sobre o que era considerado massa. Ficou acertado que arroz PODE. Ele decidiu juntar-se à minha causa porque o povo unido jamais será vencido. Mas como eu estava redondamente enganada.
Prometi à minha amiga comer um bolo na Montmartre no final da tarde. Mas em vez do bolinho eu comi um salgado e uma torta, depois que ela me convenceu que eu já havia falhado na praia quando botei a farofa deliciosa no caldo do caranguejo. Falhei logo na primeira tentativa. O negócio é que eu já sabia que eu sou um projeto de peixe, ou talvez um projeto de tubarão porque eu morro feliz pela boca. Entrei nessa já sabendo que nesse ponto minha carne (ou será minha massa?) é mais fraca que a mente (ou será minha massa?).
Entrei em acordo comigo mesma sobre o que seria massa. Com o conceito formulado tendo em vista que massa aplica-se a qualquer produto proveniente ou misturado à farinha de trigo. Amanheci a segunda-feira de cabeça erguida. Afinal de contas, a bendita segunda é o dia internacional da dieta para mulheres que sempre comem demais no fim de semana.
Realmente a sustância ficou faltando em todos esses dias. Tive que usar minha parca imaginação juntamente com minha sôfrega geladeira para dar conta do desafio. Foi ovo no café, salada no almoço e no jantar, rocambole (leia-se enroladinho ou canudinho) de queijo e presunto para enganar a falta do pão e do sanduíche. Foi muito chocolate para tentar encher a pança. E finalmente chegou a noite da quarta-feira.
Estava feliz e conformada com minha barrinha de cereais de morango e uma leve sopinha no jantar quando deparei-me com a sala dos professores sendo invadida, literalmente invadida por bandejas de salgadinhos, hot dogs, pizza e bolos. Senti meus olhos brilharem quando vi o mini cachorro quente salpicado de batata palha me seduzindo. Toquei o papel que o envolvia sentindo a saliva agitar-se na boca e o frenesi de saborear o molhinho vermelho tão peculiar tomar conta da minha mente. Foi então que olhei para Osório que já dava boas mordidas no manjar e gritei:
“É massa!”
Ele me soltou um sorriso vitorioso do outro lado da sala e falou:
“Eu comecei domingo. Meus três dias passaram.”
Com as mãos trêmulas talvez mais de fome do que de raiva, soltei meu objeto de desejo de volta na bandeja e assisti de camarote todo mundo devorar as delícias na minha frente enquanto eu corria para a água e docinho.
Hoje ainda incerta se poderia comer ou não, decidi tomar apenas uma vitamina de banana no café. No almoço, só depois de fazer um prato de salada com um pedaço de quiche e uma salada de macarrão pude perceber que meus três dias estavam acabados e poderia comer minhas guloseimas novamente. Lembrei que essa foi a mesma sensação que senti quando voltei a usar internet. Um misto de novidade com proibido, de renovação e saudade. É bom sair do piloto automático às vezes. Mesmo que seja para policiar-se.
Uhu! Cumpri mais um desafio que mexeu um pouco mais com minha vontade e resistência. Acho que posso até viver sem massa, mas vai continuar faltando a tal da sustância. Claro que vou precisar repetir esse desafio mais vezes, mas não sou nem louca de fazer isso em pleno Dezembro. Por enquanto, apenas uma sugestão que ainda está sendo levada em consideração pelo meu EU vigilantes do peso e o meu EU obesa mor: massa fica reduzida a uma vez por dia. Até o final desta edição, meus EUs ainda não haviam entrado em consenso.
3 dias sem internet
Quarta 30 de novembro
Desde segunda não uso internet. Permiti que a minha pessoa olhasse os e-mails duas vezes por dia Fiz isso justamente porque eu queria testar o quão viciada eu estava. Todos os dias, sempre que tenho um tempo livre entro na internet e muitas vezes para fazer nada. Fico no facebook, twitter, globo, UOL, Terra. Isso também é rotina. Isso também me cansa. E estou cansada de fazer sempre a mesma coisa todos os dias. Estou cansada de fazer parte da minha rotina. Estou tentando achar fugas. E comecei por uma coisa que me dá prazer. Um prazer mórbido, sedentário e preguiçoso. Quando ligo o computador busco a internet ou então pego meu celular e aperto nas teclas já com uma certa ansiedade para ver os sites, as noticias, o mundo.
Mas hoje tive que ligar o computador e muito conscientemente olhar meu e-mail por um curto período de tempo. Os dedos corriam pelo teclado buscando um crtl tab para eu mudar de aba como eu sempre faço. Fecho os olhos imaginando o que pode estar acontecendo na globo.com agora, quem pode estar no Facebook, se tem alguma menção para mim. Fico fazendo posts imaginários no Twitter e no Facebook. Depois de uns minutos eu lembrei: não posso usar a internet. Só por hoje. E aí caiu a ficha da minha triste realidade. Estou realmente viciada na internet e isso pode até não ser muito preocupante, até porque a crise de bstinência já está batendo. E se eu tivesse que ficar uma semana sem poder USAR o computador? Ou um mês sem checar meus e-mails? Isso mexe com a cabeça do ser humano. Isso afeta de alguma forma minha rotina e a minha vida.
Por isso, decidi que a cada semana me lançarei um desafio. E estou pensando em criar um site para memorizar e relembrar meus passos e meus sentimentos nessa maratona. A pergunta que me faço quando decidi ficar três dias excluída e marginalizada do mundo virtual é: eu consigo viver sem isso? Eu preciso realmente disso para viver? Minha vida mudaria se eu não tivesse isso? No caso da internet, estou percebendo que sim. Uso a internet como minha maior forma de contato com o mundo exterior e maior fonte de informação e comunicação. Fico feliz por existir no mundo virtual.
Por mais preguiça que esteja sentindo farei uns cálculos super rápidos (eu espero). Perco pelo menos duas horas e meia da minha vida todos os dias lesando na dimensão paralela. Em uma semana gasto 14 horas nessa brincadeira sem graça. Em um mês, isso dá uma bagatela de 60 horas. Isso é praticamente metade das horas que trabalho mensalmente. E você realmente acha que estou comovida com essa informação? Continuo com a mesma vontade de acessar qualquer site que seja, do jeito que estou até o Orkut está sendo bem vindo. Sei que minha vida nunca mais será a mesma quando puder acessar todos os sites que eu quiser. Isso sim é que é liberdade de escolha, de ir e vir e de expressão.
Desde segunda não uso internet. Permiti que a minha pessoa olhasse os e-mails duas vezes por dia Fiz isso justamente porque eu queria testar o quão viciada eu estava. Todos os dias, sempre que tenho um tempo livre entro na internet e muitas vezes para fazer nada. Fico no facebook, twitter, globo, UOL, Terra. Isso também é rotina. Isso também me cansa. E estou cansada de fazer sempre a mesma coisa todos os dias. Estou cansada de fazer parte da minha rotina. Estou tentando achar fugas. E comecei por uma coisa que me dá prazer. Um prazer mórbido, sedentário e preguiçoso. Quando ligo o computador busco a internet ou então pego meu celular e aperto nas teclas já com uma certa ansiedade para ver os sites, as noticias, o mundo.
Mas hoje tive que ligar o computador e muito conscientemente olhar meu e-mail por um curto período de tempo. Os dedos corriam pelo teclado buscando um crtl tab para eu mudar de aba como eu sempre faço. Fecho os olhos imaginando o que pode estar acontecendo na globo.com agora, quem pode estar no Facebook, se tem alguma menção para mim. Fico fazendo posts imaginários no Twitter e no Facebook. Depois de uns minutos eu lembrei: não posso usar a internet. Só por hoje. E aí caiu a ficha da minha triste realidade. Estou realmente viciada na internet e isso pode até não ser muito preocupante, até porque a crise de bstinência já está batendo. E se eu tivesse que ficar uma semana sem poder USAR o computador? Ou um mês sem checar meus e-mails? Isso mexe com a cabeça do ser humano. Isso afeta de alguma forma minha rotina e a minha vida.
Por isso, decidi que a cada semana me lançarei um desafio. E estou pensando em criar um site para memorizar e relembrar meus passos e meus sentimentos nessa maratona. A pergunta que me faço quando decidi ficar três dias excluída e marginalizada do mundo virtual é: eu consigo viver sem isso? Eu preciso realmente disso para viver? Minha vida mudaria se eu não tivesse isso? No caso da internet, estou percebendo que sim. Uso a internet como minha maior forma de contato com o mundo exterior e maior fonte de informação e comunicação. Fico feliz por existir no mundo virtual.
Por mais preguiça que esteja sentindo farei uns cálculos super rápidos (eu espero). Perco pelo menos duas horas e meia da minha vida todos os dias lesando na dimensão paralela. Em uma semana gasto 14 horas nessa brincadeira sem graça. Em um mês, isso dá uma bagatela de 60 horas. Isso é praticamente metade das horas que trabalho mensalmente. E você realmente acha que estou comovida com essa informação? Continuo com a mesma vontade de acessar qualquer site que seja, do jeito que estou até o Orkut está sendo bem vindo. Sei que minha vida nunca mais será a mesma quando puder acessar todos os sites que eu quiser. Isso sim é que é liberdade de escolha, de ir e vir e de expressão.
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